terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Maria Antonieta: a última rainha da França

Uma mulher incrível, possuidora de um futuro tão cruel em uma guilhotina, e criticada por frases serem erroneamente atribuídas a si. Injustiçada pelo povo, separada de seus filhos, e enfrentando seu destino de cabeça baixa.
Infância 
Maria Antônia Josefa Joana Habsburgo-Lorena (ou apenas Maria Antônia) nasceu em 2 de novembro de 1755 em Viena, na Áustria. Filha da gloriosa Imperatriz Maria Teresa da Áustria, a pequena arquiduquesa era muito enérgica e espontânea, porém não tão dedicada aos estudos e a literatura. Ela sentia, digamos assim, uma extrema preguiça, e nem em solo francês conseguiu superar este problema e demorou ao falar e escrever corretamente o francês e o alemão.
Sua mãe era rígida e consequentemente exigia muito de Maria Antônia, principalmente quando a arquiduquesa possuía idade perto dos 13 anos, já que ela poderia ser facilmente manipulada como um pino de xadrez por Maria Teresa. Assim, se a imperatriz quisesse fortalecer a amizade entre Áustria e França - ou qualquer outro país - era só casar a menina com quem fosse necessário. Ela acreditava que as filhas eram nascidas para obedecer, e que teriam de ser submissas à seus maridos, amando-os ou não.
Aos 13 anos e meio, Maria Antônia foi prometida ao delfim da França, Luís Augusto (mais tarde Luís XVI), para selar a paz entre esses dois países. E de que a felicidade da menina importava, não é mesmo? Ela seria rainha, e não havia felicidade maior que essa, aos olhos de sua mãe.

Primeiros anos na corte francesa
Maria Antonieta (agora chamada assim na França) casa-se em abril de 1770 com o delfim Luís Augusto, depois de uma série de eventos incríveis como sua chegada em solo francês. O casamento era visivelmente um fracasso: nenhum sinal de filhos ou sequer de consumação. Assim a encantadora jovem passaria mais 7 anos de sua vida, com a pressão da mãe e da corte francesa, sem herdeiros e sem a confirmação de seu lugar ao lado de Luís XVI (já que um casamento sem filhos era instável, e poderia haver uma ruptura).
Levou consigo o apelido de "A Austríaca", sendo constantemente alvo de chacota e críticas nos murmurinhos da corte francesa. Mantinha uma amizade com suas agora tias, solteironas da meia idade, que sempre a aconselhavam a ignorar Du Barry (amante do rei Luís XV), coisa muito perigosa em sua frágil situação.
Apesar de todas essas desavenças na corte mais corrupta do tempo, possuía o amor do povo e amigas. A condessa de Polignac e a princesa de Lamballe eram suas mais próximas amigas e confidentes, porém não eram amizades para uma rainha, por serem extremamente espontâneas e brincalhonas.

A Rainha
Aos 18 anos de idade e sem filhos, Maria Antonieta se torna rainha da França em maio de 1774, ao lado de seu marido, agora então Luís XVI. Nessa mesma idade conhece seu futuro amante: Conde Fersen.
Desde o principio sempre fora um tanto "gasteira", porém ao começar seu reinado sua procura por jóias, vestidos e sapatos só aumentou. Por não ter consumado seu casamento, Luís XVI se sentia culpado (já que possuía fimose) e dava tudo o que fosse pedido pela mulher, já que não tinha autoridade sobre ela.
Maria Antonieta passou a jogar e se divertir com as amizades consideradas pelo rei como inapropriadas à uma rainha, e passava noites fora enquanto seu marido descansava de longas caçadas. Madrugava e sempre que podia esperava para ver o amanhecer. Talvez, se soubesse das consequências, a rainha nunca teria dado tantas festas ou jogado muito. Praticamente ela munia todos os revolucionários com críticas fortíssimas contra si mesma e passava uma imagem de festeira e alienada. Assim, criadores de charges já possuíam munição para atacar Maria Antonieta e manchar sua imagem, além de algumas damas da corte francesa, que já faziam isso.

O amante
O Conde Hans Axel Von Fersen, ou simplesmente Conde Fersen, foi o único amante confirmado de Maria Antonieta. Ambos se conheceram quando tinham 18 anos, em um baile de mascaras, porém só foram de fato trocar caricias 4 anos depois.
Dizem que a rainha se apaixonou pelo seu senso de humor e sua beleza, além de ser um militar notável e dedicado à França.
Tal traição era comum na corte francesa, já que a maioria dos casamentos eram políticos, era bem normal mulheres e homens terem amantes. E como seu casamento com Luís XVI era apenas pela união da Austria e França, e sua consumação tinha apenas o objetivo de dar um herdeiro ao trono francês, Maria Antonieta se sentiu livre para trair o marido com o galã Conde Fersen.


A mãe e as mortes
Em 1778, após consumar seu casamento, Maria Antonieta se torna mãe de Maria Teresa (nome dado em homenagem da imperatriz), e nos anos seguintes de Luís José, Luís Carlos e Sofia, por ordem de nascimento.
Sem dúvida era uma mãe muito dedicada à seus filhos - afinal, esperara tanto por eles - e os colocava acima de qualquer coisa, até mesmo ela mesma: característica que vemos depois enquanto Maria Antonieta é presa.
Porém, dois de seus filhos morrem: Luís José e Sofia. Primeiramente a delicada menininha, a mais nova filha da rainha, em 1787, com apenas alguns meses falece. Depois, no ano da Revolução Francesa, o então delfim Luís José também morre, ambos deixando um enorme buraco aberto em sua mãe, que ficou muito triste. Abalada, Maria Antonieta sofria um enorme sentimento pela perda de seus dois filhos, o que só piora a situação, já que a Revolução Francesa estava chegando.

Fase Campestre
Maria Antonieta passou por uma fase muito particular, sua fase campestre. Vestia roupas mais soltas e "confortáveis", e vivia mais ao ar puro.
Essa fase começou com o Petit Trianon, uma espécie de mansão de campo, que foi dado de presente de Luís XVI à Maria Antonieta. Lá, a rainha poderia convidar seus mais próximos amigos e fugir da rigidez da corte francesa.
Foi também nessa fase campestre que a rainha se interessou mais pelo teatro, participando das peças.
Porém, com o Petit Trianon Maria Antonieta começou a ficar cada vez mais distante da corte e do povo, duas coisas indispensáveis na vida de uma rainha. Então, era constantemente criticada por viver só "no seu próprio mundo", tanto pelo povo quanto pela corte francesa, que morria de inveja de qualquer convidado pessoal da rainha.


O ódio do povo francês
Desde sempre Maria Antonieta vinha sendo odiada pela maioria de sua corte corrupta, porém agora também era alvo do povo revolucionário.
A então rainha tinha várias charges e imagens pornográficas atribuídas a si, que eram divulgados por revolucionários, sendo motivo de chacota popular e acima de tudo: ódio. Normalmente eram críticas ao seu estilo de vida, principalmente no início do reinado, e suas amizades. Era constantemente acusada de lesbianismo, por passar tempo de mais com suas amigas, entre elas a condessa de Polignac e a princesa de Lamballe. Porém Maria Antonieta não deu atenção e preferiu ignorar o povo, pois achava que se respondesse às ofensas estaria "atirando mais lenha na fogueira" - com certeza ela se arrependeria disso.
A imagem que todos tinham da rainha era uma mulher alienada, prostituta, que fazia orgias com mulheres e homens. Alguns conceitos como estes continuam a sujar sua imagem, como por exemplo a frase "que comam brioches", que foi erroneamente atribuída a Maria Antonieta, e seu nome apelido "Madame Deficit". O povo odiava Maria Antonieta.

Viúva Capeto e morte
Após a Queda da Bastilha foi oficialmente anunciado a Revolução Francesa, revolta que mataria diversos nobres, dentre eles a rainha.
Após ser pega na Fuga de Varennes com sua família, ficou aprisionada com seu marido Luís XVI, seus dois filhos sobreviventes (Luís Carlos e Maria Teresa) e sua cunhada. Quando em janeiro de 1793 seu marido morreu na guilhotina, condenado, recebeu o apelido de Viúva Capeto, e ficou fortemente abalada. Agora só ela, os filhos e a cunhada, sabia que seu fim estaria próximo.
Foi transferida para a Prisão de Conciergerie, onde passou seus últimos dias. E em 16 de outubro de 1793, com 37 anos e condenada por traição,  foi guilhotinada na Praça da Concórdia. Deixando seus 2 filhos pequenos, Luís Carlos morreria em 1915 e Maria Teresa conseguiria sair daquela situação graças a uma troca de prisioneiros entre França e Aústria.

A Rainha-Mártir
Após sua morte, foi enterrada em uma cova comum, mas em 1815 foi devidamente sepultada por Luís XVIII em um tumulo ao lado de seu marido, na Basílica de Saint-Denis.
A partir daí ficou conhecida como Rainha-Mártir, e foi diversas vezes tema de vários filmes, livros, peças de teatros...
Porém, apesar de algumas pessoas defenderem a imagem de Maria Antonieta, ainda é vista como uma alienada. O fato é que este esteriótipo errôneo sujou sua imagem, que ainda está manchada.
Com certeza é conhecida por seus gastos, luxurias, loucuras... Sendo que a maioria dessas coisas ou não existiu, ou são exageros de uma verdade bem menor.




Essa mulher, realmente, não deveria ter uma fama tão impopular por seu esteriótipo. Foi injustiçada e criticada, e por isso para mim é digna de ser considerada uma das maiores rainhas da história.


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