![]() |
| A madame Du Barry |
Se tratava de um rei velho, nos seus sessenta anos, cansado de governar. Para ele, bastava! Queria tranquilidade e sossego! Iria finalmente usufruir de sua posição para em vez de pensar em assuntos de guerra - ou mesmo na pobreza em que o povo francês se encontrava - pensar somente em seu prazer e diversão. Ali estava Du Barry, que como propriamente uma prostituta, oferecia seu corpo e amor em troca de jóias e posição social. Convenhamos que a maioria das mulheres da época também fariam essa troca, já que a população passava fome e viviam em condições precárias. Madame Du Barry era só mais uma que se aproveitou da necessidade de Luís XV. Se essa atitude, essa troca, era explicável e compreendida, só Deus poderia julgar.
![]() |
| A delfina Maria Antonieta |
Fizeram a cabeça de Maria Antonieta, que passou a odiar com todas as forças a rival. Nenhuma palavra tinha dito até ai. Se passaram semanas, meses... Nenhuma palavra. Nem sequer um olá. Nem sequer um sorriso. A delfina permanecia a ignorar a existência da amante de Luís XV, o que passou a ser murmurinho em toda a corte francesa. Quem ganharia: a austríaca ou a meretriz? Reuniam-se para apostarem quando ou se a tal palavra seria dita. A recém chegada Maria Antonieta já arrumava intrigas? Sua mãe, Maria Teresa, cansada de a advertir, se via numa posição extremamente desconfortável. Logo a situação iria incomodar Luís XV e sem filhos, a delfina poderia facilmente ser trocada e a paz com a Áustria desfeita. Recomendou a Mercy a dar todos os incentivos à Maria Antonieta, para que a mesma dirigisse a palavra à madame Du Barry.
![]() |
| Madame Du Barry |
Du Barry passou a atormentar Luís XV com choramingos contando toda a injustiça que sofria na corte. Como todos a viam como uma prostituta, e como isso só ficara mais reforçado quando "a austríaca" não lhe dirigiu a palavra. Como previa Maria Teresa, o rei passou a ficar incomodado com tais reclamações. A amante interrompia sua tranquilidade queixando-se de não ser bem tratada. Aquele não era um bom líder para o país, era um velho que queria se divertir à custa da França, importando-se mais com mulheres e luxos do que com guerras. Não queria qualquer tipo de incomodo, muito menos vindo de quem lhe dava prazer.
Maria Antonieta sabia que ao neglicenciar uma favorita do rei estaria também ofendendo o mesmo. Mas para Luís XV isso demorou a cair a fixa. Quando finalmente percebeu tal coisa, no meio de mais um dos choramingos constantes de Du Barry, mandou chamar imediatamente a Condessa de Noailles, a dama de companhia da delfina, e ordenou que passasse o recado: a palavra teria de ser dita. Pressionada por sua mãe, por seu fiel - nem tanto - confidente Conde Mercy, por sua dama de companhia a Condessa de Noailles e agora pelo rei, foi obrigada a ceder.
![]() |
| A delfina Maria Antonieta |
E em 1 de janeiro de 1772 a frase finalmente foi dita "Há muitas pessoas em Versalhes hoje", bastava aquilo. Maria Antonieta, apesar de humilhada, seria de novo muito querida pelo rei. Todos os murmurinhos se voltaram contra a delfina, riam de sua humilhação. Seu orgulho estava despedaçado.
Mas mesmo derrotada jurou, em nome de tudo o que lhe fosse mais sagrado, que nunca mais dirigiria a palavra a desprezível meretriz. "...Aquela mulher não ouvirá mais o som de minha voz". Du Barry já estava satisfeita, isso bastava. Vencera a delfina da França! Apesar de depois tentar se reconciliar com a menina, estava muito feliz pelo acontecimento. Quem ganhou a disputa, aparentemente Du Barry, mas quem sabe ao certo, não é?! "Há muitas pessoas em Versalhes hoje", uma frase com poucas palavras mas uma força enorme.




Nenhum comentário:
Postar um comentário