quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Maria Antonieta: a mulher por traz da Madame Deficit - PARTE 1

Julgada e condenada, Maria Antonieta caminhava para a guilhotina no dia 16 de outubro de 1793. Aquele era o ultimo dia de sua vida. Quais crimes cometera? Traição, incesto e esgotamento do tesouro francês. Mas será mesmo que tais absurdos foram realmente realizados pela ultima rainha da França?
Para responder a esta pergunta precisamos voltar um pouco mais no tempo. Mais precisamente de 1770 à 1777, os 7 anos mais significativos para a formação de sua personalidade. Sem a consumação de seu casamento, Maria Antonieta era uma jovem enérgica e cheia de vida. Como era muito nova, chegara a França para fazer o que lhe fosse agradável, como qualquer outra delfina, sempre seguindo o lema "Deixa que os outros façam a guerra, tu, feliz Áustria, casa-te!".
Insatisfeita, passou a frequentar jogos e a gastar seu dinheiro - ou melhor, o dinheiro francês - com roupas e sapatos. E quem poderia impedi-la? Luís Augusto não tinha autoridade sobre sua mulher, justamente pelos 7 anos sem consumação que estavam vivendo. Ele era um homem impotente, que nem ao menos cumpria seus deveres com a própria esposa! Maria Antonieta reconhecia isso e chegou até a chama-lo de "aquele pobre homem" em carta à mãe, Maria Teresa. A delfina sabia que era superior a seu marido e que poderia lhe pedir qualquer coisa. Assim gastava até o amanhecer jogando em Paris! Lá ela não era a delfina, de quem se esperava toda a pompa e esplendor. Lá ela poderia fugir da rigidez e etiqueta da fria corte francesa, que considerada entediante.
E o que esperar de uma garota de 14, 15 anos? Uma delfina, qualquer uma que fosse, em todas as décadas e séculos, seria casada para usufruir do dinheiro do povo. Era comum e Maria Antonieta fora mandada para a França com este mesmo intuito, como todas as outras rainhas. Então por que tudo caiu sobre ela? Por que a jovem delfina foi a culpada por gastar do tesouro francês e não as outras? Simplesmente porque o povo tinha a consciência de que todas as mulheres da corte - e homens também, é claro - gastavam muito, mas não haviam condições de haver uma revolução. Os motivos para tal, isso fica para outro post, mas tudo caiu sobre a cabeça de Maria Antonieta. Ela agora era culpada por todas as desgraças que suas antecessoras cometeram.
Em 1778, quando deu a luz à Maria Teresa, já era tarde demais para mudar de perfil publicamente. A rainha - que havia sido coroada em 1774 - era vista como o fruto da desordem francesa. Mesmo saindo da fase dos 7 anos sem consumação, e se tornando uma figura materna, ainda era lembrada como a ingênua delfina.
A maternidade havia mexido com Maria Antonieta, e a partir daí ela passa a não frequentar tantas festas e bailes como antes. Sempre preocupada com a pequena filha primogênita, zelava por ela todos os dias. A rainha era uma boa mãe, mas o povo não via! A população pouco sabia de sua vida intima, de seu afeto por familiares, apenas interessava-lhes seus erros.
Finalmente a tão esperada filha nascera, finalmente! Maria Antonieta ignorou a partir daí muitas futilidades e finalmente amadureceu mentalmente. Passou a ser menos alienada e mais inteligente - não que se jogasse de cabeça em estudos, é claro.
Após receber o Petit Trianon de seu marido as coisas só pioraram. A rainha passou a investir fortunas no "novo lar", enfurecendo o povo. Também deixou de lado a corte e sua etiqueta finíssima, deixando-os bravos e irritados. Era um dever da rainha atender à todos os nobres e convida-los para um chá, um baile, uma peça de teatro...! Mais uma vez odiada pela nobreza, carregava uma imagem de completa alienada e fútil.
Nobres criavam canções eróticas, charges e imagens que logo seriam usadas contra Maria Antonieta pelos revolucionários. Mais tarde, jornais irão divulgar tais zombarias, existia um arsenal de insultos reservados à rainha, criados pelos próprios nobres! De fato, "a austríaca" não cativou a corte, e pouco a pouco foi desapontando o povo que queria mudanças.







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